Governo Lula descarta escalar crise com Trump por Flávio Bolsonaro
29 outubro 2026Governo Lula descarta escalar crise com Trump por Flávio Bolsonaro, A avaliação é de auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ouvidos pela BBC News Brasil em caráter reservado.
A possibilidade de que auxiliares do presidente Donald Trump teriam providenciado o avião que transportou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e sua família da Argentina aos EUA, na quarta-feira (28/10), apontada pelo jornal The New York Times, não deverá mudar a postura do governo brasileiro em relação ao governo norte-americano sobre o assunto.
A avaliação é de auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ouvidos pela BBC News Brasil em caráter reservado. Segundo reportagem publicada pelo The New York Times, o assessor de Trump, Jason Miller, teria fornecido jato privado que saiu de Puerto Iguazu a Miami, levando a família de Flávio aos EUA.
Jason Miller é um dos principais assessores de Trump e é aliado da família Bolsonaro. Segundo auxiliares do presidente Lula, a ideia, por ora, é que Lula não se manifeste publicamente sobre o assunto e nem faça questionamentos às autoridades norte-americanas sobre a ida de Flávio aos EUA, que receberam o senador e sua família oferecendo um visto.
Trump, no início da semana, chegou a afirmar que teria dado autorização para a chegada da família do senador.
Na avaliação de auxiliares de Lula, o governo ainda estaria calibrando de que forma irá responder ao episódio, mas a ideia seria não fazer do acolhimento norte-americano a Flávio um problema na relação já tensionada com o governo Trump.
Na mira da administração petista estariam outras questões consideradas mais prioritárias como as negociações sobre o tarifaço norte-americano a produtos brasileiros imposto pelo governo dos EUA.
O governo também aguarda o resultado das eleições parlamentares de meio de mandato, nesta semana, que pode definir se os republicanos irão ou não perder o comando do Senado e da Câmara dos Deputados norte-americanas. Se os republicanos perderem uma das duas casas, o entendimento do governo Lula é de que Trump ficaria parcialmente fragilizado.
Por outro lado, a avaliação com relação à possível participação do governo argentino, liderado por Javier Milei, é de que a viagem de Flávio passando pelo território do país vizinho deteriorou ainda mais as relações com Buenos Aires.
Até o momento, o governo ainda não se manifestou publicamente sobre a possível ajuda do governo Milei na viagem de Flávio, mas auxiliares do presidente Lula dizem acreditar que o episódio afasta ainda mais a possibilidade de uma normalização com a Argentina.
Atualmente, os dois países estão sem embaixadores atuando regularmente nos dois países devido a desentendimentos recentes entre os dois governos.